Urbanismo: Brasília

O urbanismo moderno brasileiro produziu significativos exemplos. Em 1933, quando o Movimento Moderno apenas se iniciava, Attilio Correa de Lima elaborou o plano para Goiânia, baseando-se nos fundamentos Modernistas. Foram realizados projetos urbanos como os Conjuntos Habitacionais de Pedregulho (1950-51) e o da Gávea (1952) de Affonso Eduardo Reidy. No entanto, foi em Brasília que o urbanismo brasileiro atingiu seu apogeu e reconhecimento internacional.

Brasília é conhecida por ter sido uma cidade inteiramente planejada, com o propósito de ser a nova capital brasileira. Sua construção se deu no governo de Juscelino Kubitschek, sendo inaugurada em 1960. A escolha do projeto para a nova capital, apontada no mundo todo como uma realização urbanística ambiciosa, se deu através de um concurso do qual Lúcio Costa saiu vencedor, e à Oscar Niemeyer coube projetar os edifícios da cidade.

Segundo o próprio Lúcio Costa, o plano “nasceu do  gesto primário  de quem assinala um lugar ou dele toma posse: dois eixos cruzando-se em ângulo reto, ou seja, o próprio sinal da cruz.”

O plano de Lúcio Costa tomou o racionalismo por base e inspirou-se nos princípios da Carta de Atenas – documento máximo do urbanismo Moderno da autoria de Le  Corbusier, que  propunha  a  divisão da cidade em setores, segundo a função de cada um.

O plano piloto tratava-se basicamente de dois eixos perpendiculares: o Eixo Rodoviário-Residencial, com forma arqueada, ao longo do qual dispõem-se as superquadras residenciais; e  o  Eixo Monumental,  no  qual estão localizados os centros cívico e administrativo com destaque  para o conjunto dos edifícios do governo federal.

Estes encontram-se no triângulo equilátero, que deu origem à Praça dos Três Poderes. O cruzamento do Eixo Monumental, de cota inferior, com o Eixo Residencial foi resolvido criando-se uma grande plataforma na qual está o centro de diversões da cidade.

A construção de Brasília gerou também  muita discussão e crítica, as quais questiona- vam desde a validade de construir-se uma cidade-capital   inteiramente nova, chamada pejorativamente por alguns de “artificial”, até as soluções finais do projeto em si. Apesar das críticas, o fato é que Brasília resultou em uma “obra de arte”³, na qual  a arquitetura baseia-se em grandes blocos dentro de vastas áreas verdes e o tráfego foi resolvido suprimindo-se os cruzamentos e criando-se ruas destinadas a pedestres.

Tal resultado jamais seria possível  não fosse a total harmonia e concordância entre o plano de Lúcio Costa e a arquitetura de Oscar Niemeyer. Este é um fato reconhecido mesmo por aqueles que mais impuseram-se contra Brasília.

“Brasília nunca será uma cidade ‘velha’, e sim, depois de completada e com o correr dos anos, uma cidade antiga, o que é diferente, antiga mas permanentemente viva.

O Brasil é grande, não faltarão aos novos arquitetos e urbanistas oportunidades de criar novas cidades.

Deixem Brasília crescer tal como foi concebida, como deve ser, – derramada, serena, bela e única”

 Lúcio Costa (COSTA, Lúcio. Registro de Uma Vivência.São Paulo: Empresa das Artes, 1995. p. 317)