Principais arquitetos e obras Modernas

Entre os arquitetos de destaque no Movimento Moderno brasileiro estão Lúcio Costa, cuja obra e contribuição teórica são de grande importância, Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Attilio Correa Lima, os irmãos Marcelo e Milton Roberto e outros.

O início dos anos 30 marca ainda o conflito entre o neo-colonial, estilo dominante na arquitetura brasileira da época, e o Modernismo, que começava a ganhar espaço. Deve-se observar que o Estado teve papel importante no processo de afirmação do Modernismo brasileiro, enquanto patrocinador de obras que buscaram o Modernismo como símbolo de modernidade e progresso.

A primeira obra moderna de repercussão nacional foi o prédio do Ministério da Educação e Saúde – MES, cujo projeto  foi realizado em 1936, no governo de Getúlio Vargas, por uma equipe de arquitetos: Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Carlos Leão, Jorge Moreira e Ernani Vasconcelos, liderados por Lúcio Costa.

O projeto foi orientado pelo próprio Le Corbusier  que veio ao Brasil a convite do então Ministro da Educação e Saúde, Gustavo Capanema. O edifício foi concebido de acordo com os fundamentos modernistas e  tornou-se um marco para a arquitetura  brasileira,  representando a  ruptura com as formas arquitetônicas ornamentadas com motivos historicistas e simbólicos que eram usadas na época.

A imagem de modernidade e progresso que o prédio do Ministério representava estava também vinculada aos ideais de inovação pretendidos pelo Estado Novo – regime político autoritário  que vigorou até 1945, quando da deposição de Vargas.

O edifício do Ministério compõe-se de um volume em altura sobre pilotis e um outro mais baixo e perpendicular ao primeiro. Suas fachadas foram tratadas de acordo com a incidência solar,   utilizando-se  brise – soleils e vidro. No seu interior a planta é livre, isto é, sem paredes fixas, o que permite liberdade de uso. Foram utilizadas divisórias de madeira que não chegam até o teto, possibilitando  ventilação cruzada. Alguns locais receberam azulejos e murais do pintor Candido Portinari,  artista   de  destaque  no Movimento Moderno brasileiro, e os jardins receberam esculturas de Lipchitz, Bruno Giorgi e Celso Antonio.

“Este belo edifício do Ministério é, conforme já tenho dito, um marco histórico e simbólico. Histórico porque foi nele que se aplicou pela primeira vez, em escala monumental, a adequação da arquitetura à nova tecnologia construtiva do concreto armado (…) E simbólico porque, num país ainda social e tecnologicamente subdesenvolvido foi construído com otimismo e fé no futuro, por arquitetos ainda moços e inexperientes, enquanto o mundo se empenhava em autoflagelação.”

Lúcio Costa (COSTA, Lúcio. Registro de Uma Vivência.São Paulo: Empresa das Artes, 1995. p. 138.)

A repercussão que o edifício do Ministério obteve pôs em foco o Movimento Moderno e representa o momento em que este movimento ganhou impulso, desenvolvendo-se de forma profunda. A partir de então foram produzidas muitas outras obras Modernistas, da autoria de vários arquitetos, como Affonso Eduardo Reidy, Oscar Niemeyer, os irmãos Roberto e Lúcio Costa.

Aos poucos a Arquitetura Moderna Brasileira foi ganhando  destaque no cenário mundial passando a ser utilizada para divulgação da boa imagem brasileira junto com o café e o futebol.

Apesar dos primeiros exemplares da Arquitetura Moderna no Brasil  serem de autoria de arquitetos estrangeiros, é à Oscar  Niemeyer que se atribui  a “popularização”  deste estilo.  Após a eclosão do  Movimento Moderno, este subdivide-se em várias tendências estilísticas. No Rio de Janeiro a fusão dos princípios Modernistas europeus com a herança nativa resulta em uma arquitetura de formas mais livres. É nesse aspecto que evidencia-se a originalidade de Oscar Niemeyer.

Abandonando o funcionalismo exagerado dos ideais Modernos, Oscar Niemeyer utiliza em suas obras formas curvas mais livres, que buscam a beleza, não sendo o resultado final da obra somente conseqüência de sua função. Tais características estão presentes  no projeto para  o Conjunto da Pampulha (1942-1943), em Minas Gerais, obra encomendada pelo então prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek. Dentre outras obras deste arquiteto destacam-se, além dos famosos edifícios em Brasília, O Grande Hotel  de  Ouro Preto (MG, 1940), com o  qual inicia uma série de obras governamentais em Minas Gerais, e o Parque do Ibirapuera(SP, 1951-1955).

“…Fui talvez o primeiro a dizer francamente que o funcionalismo ortodoxo não me interessava e que a beleza era também uma função, e das mais importantes na arquitetura. Na verdade, o ângulo reto nunca me entusiasmou, nem as formas rígidas e repetidas dos primeiros anos da arquitetura contemporânea. A curva me atrai intensamente com a sua sensualidade barroca, e a nossa tradição colonial e o próprio concreto armado, a sugerem e recomendam.”

Oscar Niemeyer (NIEMEYER, Oscar. apud SOUZA, Renato Cesar Vieira. Em artigo publicado na Internet. www.bhnet.com.br/~rcesar/pampulha/niemey.htm)

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